Eu queria ver, mas o pano branco envolto em meus olhos não ia sair..
Sentia que aquele pano estava encharcado, talvez eram lágrimas não consegui identificar muito bem o que realmente era mas me lembro que quando escorreu um gosto ardido entrou em minha boca.. tinha gosto de sangue.
Não estava sozinha, sempre ouvindo comentários, sempre ouvindo coisas e tentava assimilar de quem havia
falado tal coisa, o medo sim costumava entrar em meus ouvidos mas só havia duas coisas a qual eu sabia assimilar, era uma mesa, a cadeira a qual eu sentava e uma balança e alguns pesos..
Passei dias, meses, anos pensando .. Porque a balança e os pesos?
Certo dia, apareceu alguem e me falou:
- Pese-me.
Pensei comigo, a balança é pequena de mais, não ia aguentar.. E logo ele me disse.
- Pese meu coração.
Coloquei os pesos do outro lado.. e senti que precisava de muito mais para nivelar. Não havia mais pesos.
Ele foi embora triste e muito deprimido, ouvi seu choro.
Não sei porque eu não tentei tirar o pano de meus olhos.. Isso não me passava pela cabeça.
Havia muitas coisas erradas ali, não havia como soluciona uma coisa daquela.. O ouvido era meu único amigo.
Alguem mandava eles ali, sempre eram homens, alguem os comandavam.
Por hora, sim, passou pela minha cabeça que eu estava julgando eles, era eu quem decidia se tinha o coração pesado ou não.. E muitos haviam sim um coração muito carregado.
E o tempo passava, muito, e muito rápido..
Sem querer um dia, chegou alguem, e tinha notado que a voz era extremamente diferente.
Pesei seu coração, seu peso bateu certinho com o primeiro peso.. Eu fiquei assustada. Sem saber o que faria.
Senti o pano sendo tirado de meus olhos e um alivio como nunca.
Então ele me olhou nos olhos e disse:
- Você acabou de encontrar o homem da sua vida inteira.
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